Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Viagens - 9

Austria - Viena

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Myspaces - 4

Comfy Dub
Dub / Down-tempo (Alemanha)
http://www.myspace.com/comfydub

Música em Destaque:
Comfy Dub Cut

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Teoria do Silêncio

para o Rui Costa, o grande teórico.

#1
O silêncio guarda as vozes, como se todos emudecêssemos quando falamos para o seu corpo.

#2
O corpo do silêncio é um comboio a caminho da metáfora. Qualquer tentativa de compreensão, lembrará a ausência; logo, muito dado à poesia.

#3
O silêncio é uma máquina de comer sons.

4#
O silêncio enumera e quantifica o espaço de tempo em que não falamos.

5#
O silêncio é o habitat dos segredos.

6#
O silêncio potencia o gesto. Incita ao beijo nos amantes.

7#
Grande ingrediente dos poemas lugar-comum.

8#
O silêncio é um som cuja frequência só os olhos interpretam.

9#
O silêncio total é a morte. Quando se morre faz-se muito barulho no corpo do silêncio.

10#
Só no silêncio Jonh Cage é mais deus que Bach.

Rock 'n' Roll SuperStar

Ghinzu - Dragster Wave

Eu gostava de ter uma banda assim. E fazer músicas como esta. Quem quiser, bora lá!

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Viagens - 8

República Checa - Praga

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Poema

Hector Zazou & Björk - Vísur Vatnsenda Rósu

Diante de ti perfilam-se as imagens inaugurais do sonho.

Em halos de luz oscilam sobre as águas os anéis

onde o corpo se entrelaça como uma serpente.

Moves-te na destreza de quem se esconde do inimigo.

O teu peito recebe o beijo de fogo, desfaz-se

de seguida, no seu núcleo surgem as raízes revoltas

dos incêndios. No fluxo dos gestos existem

todas as palavras que não foram ditas.

Emudeces nesse silêncio que magoa e te abate

e confirma a inaptidão à vida, à sucessão dos

acontecimentos que te escapam. Não te atreves a

entrar. Adias se necessário. És um ceptro luminoso

que se cruza sobre o clarão das águas. A resina

que escorrega da ferida infecta, humana no erro,

próxima dos olhos. Não há lugar do mundo

onde a tua cabeça sossegue.

in Big Ode #5

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Myspaces - 3


Pluto Project
Electronica/Dub/Down-Tempo (Budapeste, Hungria)

Música em Destaque:
Manges

Viagens - 7

Hungria - Budapeste

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Myspaces - 2


Austin
Pop (Lisboa, Portugal)
http://www.myspace.com/austinpt

Música em Destaque:
Arcades

Tive a extraordinária oportunidade de tocar nesta banda, em locais incríveis como o Sudoeste, o Coliseu do Porto e na primeira parte de James. Desejo que se reúnam em breve em voltem a fazer novas e boas canções.

Myspaces - 1


O Myspace é a 'editora' discográfica mais democrática que existe, onde tenho descoberto projectos muito interessantes, grande parte deles, fora do mainstream. Vou deixando aqui algumas sugestões.

Experimental/Pop (Atenas, Grécia)

Tema em Destaque:
cd One

Niko Veliotis, estará em Barcelos no Dinamo Festival, de 25 a 27 de julho.

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Pintores - 1

Marc Chagall

Pó dos Livros

A Livraria Pó dos Livros, em Lisboa, já tem cartão de cliente, e um vídeo exemplificativo do que fazer com ele.

Poema nhó-nhó de segunda-feira de manhã

Diz o momento, fico assim quieto
nenhum gesto que denuncie a presença,
escoando o tempo na visão da cidade.
Diz-me que permaneça ainda o tempo
suficiente, que aguente comigo no espaço
que te faz falta, se partir. Que fique
a assistir ao momento, o tempo na presença,
a cidade como visão suficiente.
Que fique e me cale durante o tempo do choro.
Que a lágrima demore ainda uma vida a cair do
rosto. (o que fazer se ela nunca secar?)
Adio. (porquê ainda chorar?)
Finalizo. (atinjo a soleira.)
Viro o corpo. (pensas, parte, a cidade espera-te).
Denuncio a presença no gesto,
elaboro novas cidades no campo de visão.
Sou uma sombra volátil. Ninguém me segura
enquanto tudo for escuridão.

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Lançamento Big Ode #5

Hoje, na Livraria Trama.

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Viagens - 6

Maldivas - Male

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Viagens - 5

República Checa - Praga

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Pianistas - 5

Craig Armstrong

Viagens - 4

México - Iucatão - Mérida

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Lançamentos

Lançamento da revista Big Ode #5
Livraria Trama, dia 04 de Julho



Lançamento Filho Pródigo de José Agostinho Baptista
Faial, dia 5 de Julho

Esta luz constrói fuligem - 2

Eu avanço como alguém que
pronto a desistir
esboça o derradeiro sorriso

do lado de cá do vidro
espero o teu pontapé final
quero contar todas as rugas
da nossa história

mesmo e que somente
a última palavra me surpreenda

Sábado, 28 de Junho de 2008

Viagens - 3

Hungria - Budapeste

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Cadernos de Fernando Pessoa


Vale a pena 'vasculhar'.

Viagens - 2

Maldivas - Lankanfinolhu

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Viagens - 1

Austria - Viena

Acabei de Ler - 1

Paul Auster - A Trilogia de Nova Iorque

Cidade de Vidro
Uma chamada telefónica, aparentemente através de uma linha cruzada, despoleta a vertiginosa queda de um escritor. Cansado de permanecer no lado inócuo da vida, decide embarcar no que lhe parece tratar-se de um acaso do destino, e experimentar ele mesmo, as aventuras que inventa e ficciona nos seus romances. Inúmeras mensagens anunciam uma trama de reflexos, como um enorme espelho quebrado em vários pedaços, que nunca mais lhe permitirão entender a realidade da mesma forma. Formidável o ensaio que Auster elabora sobre o homem a lutar ( e a distender) os seus próprios limites; a capacidade inata na alteração e adaptação ao meio; as forças que prevalecem quando já tudo parece perdido e irreversível. A destreza de nunca fechar uma história e conseguir deixar a pairar no nosso pensamento inúmeras soluções e possibilidades.

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Esta luz constrói fuligem - 1

a minha meditação está no fogo
no incêndio luminoso dos ombros resvalando na noite
fria
sobre eles – ambos, os teus – debruço uma inteira cidade

eu ainda acredito ser possível
os rios como rios
as pontes nós nas mãos dos homens
doentes

e prosseguir até à última cinza
um beijo que possa sossegar-me
apenas a palavra
ou ainda o gesto fugaz

do incendiário

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Em Fucking Maria da Repetição

Tindersticks - The Hungry Saw - 2008

Coisas do Catano - 7

RicoLoop

Sempre fui bom nos números

Sete mulheres entram no meu quarto. Durante esta semana já tive este sonho três vezes. Trazem flores nas mãos. Olham-me durante um segundo e depois lançam as flores para cima de mim. Fico furioso porque acordo sempre às quatro da madrugada. Sem sono, arrisco o canal dois da televisão. Dou por mim a pensar: se ao menos isto não fosse um sonho e elas me fizessem num oito.

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Um Conto

(em resposta ao meu amigo Luís Ene)
A sua rotina é tentar não ter rotina. Mas usa uma grande agenda onde escreve com rigor as horas dos encontros que vai combinando por telemóvel, que deixa sempre ligado. Levanta-se tarde, quando todos já estão nos seus empregos. Depois de um duche rápido, come um iogurte natural e uma peça de fruta. Pega no seu saco desportivo e vai ao ginásio fora do seu bairro, por não querer encontrar pessoas conhecidas. Pratica durante quarenta minutos, rodando de máquina em máquina, sem descansar. Quando termina, toma um novo duche no balneário e regressa a casa. Certos dias passa por um hipermercado também afastado do seu bairro, por não querer ser reconhecida, e faz todas as compras necessárias. Almoça em casa, pratos recheados de vegetais e pouca carne grelhada.
Entretanto, o seu telemóvel começa a tocar. O álcool ingerido ao almoço proporciona mais coragem aos homens que lhe ligam. Combina encontros a partir das 15 horas. É importante que estes encontros não ultrapassem a hora de expediente. Anota o nome e a hora na agenda. Novo telefonema. Desta vez, adia para o dia seguinte, o homem protesta, depois acede. Volta a marcar na agenda.
Confirma a marcação que tem para esse mesmo dia. É um repetente, o que requer maior atenção da sua parte. Consulta um livro de anotações que guarda dentro da gaveta de uma das mesas-de-cabeceira. Abre o livro no nome indicado, e confirma que roupa usou da última vez que esteve com esse mesmo cliente. A ideia é nunca se repetir, alimentar o factor de surpresa, elevar a expectativa. Só assim garante a fidelidade de alguns clientes. Nunca se apaixona. Esquece o nome deles breves minutos após o serviço. Mete para lavar e de imediato a roupa que usa com eles. Quando termina, toma o último duche do dia.

Passavam trinta minutos da hora combinada, e o homem sem aparecer. Ela caminhava entre o sofá e a janela, esperando-o. Olhava para a rua tentando adivinhá-lo no meio das gentes que circulavam, sem sucesso. Sentou-se por fim no sofá, confortável, de pele, mas nem por isso se sossegava.
O homem estava atrasado, algo que nunca acontecera, e não havia dito nada. Nem um telefonema, nem uma mensagem. Dirigiu-se ao quarto já há muito preparado para o encontro. As persianas descidas, luz baixa de ambiente, música chill out, a cama aberta, perfumada, alguns utensílios sobre a mesa-de-cabeceira.
Sentou-se num grande cadeirão em frente ao espelho que se estendia por toda a parede e abrindo novamente o caderno de apontamentos, certificou o que constava no nome dele. Era a sexta vez, e sempre fora pontual, honesto no pagamento, afável na despedida, formal na convocação. Mas o certo é que já estava trinta e cinco minutos atrasado.
Volta a olhar para a sua informação. Das vezes que ele lhe ligara, tinha registado os respectivos números. Dois. Um número fixo, certamente do seu emprego, e um telemóvel. Geralmente, todas as chamadas que recebe são com número oculto, o que considerava ser natural. Muitos homens ligam-lhe só para ouvir a sua voz, a sua respiração, e depois desligam. Mas este homem que está atrasado não. Nunca ocultou de onde ligava, e isso tinha-a intrigado, tanto, que resolvera apontar os números.
O que terá passado na sua cabeça para cometer tamanho deslize? O que diferenciava este homem de todos os outros, que a levasse a cometer a maior transgressão possível na sua actividade? Não o saberia decerto responder. Digitou o número fixo. Dez sinais de chamada sem resposta. Desligou. Olhou o telemóvel. Alheia à total imprudência digitou o número e ficou a olhar o seu reflexo pelo espelho enquanto a chamada se estabelecia.
Do outro lado respondeu uma mulher. A mulher do homem.
- Sim?
Olhando-se ao espelho, petrificada pelo som da voz feminina, a mulher da vida deu por si a falar com a mulher do homem.
- Penso que me tenha enganado no número, desculpe.
Antes de conseguir desligar, a mulher do homem retomou.
- É claro que não se enganou. E eu sei quem você é.
A mulher da vida manteve-se gelada, olhando-se no espelho.
- E sabe como sei quem você é?
- Como?
- Porque o meu marido falou-me de si.
De novo um grande silêncio a separar as duas vozes.
- Não acha estranho que, o meu próprio marido tenha falado sobre si? A mim? – retomou a mulher do homem.
- Talvez…
- Talvez? É apenas isso que tem para me responder? Imagino que o seu forte não seja o de conversar mas, faça um esforço desta vez, tente colaborar comigo.
A mulher da vida deixou cair a cabeça para a frente. Os longos cabelos cobriram o seu rosto. Já não queria ver-se no espelho.
- Colaborar? Consigo? Não entendo como, nem para quê?
- É claro que entende. Fazemos o seguinte: Imagine que somos boas amigas e que isto seja apenas um telefonema entre verdadeiras boas amigas…
- Vou desligar – anunciou a mulher da vida.
- Ele ainda não chegou, pois não?
Novo silêncio.
- Não, está atrasado.
- Quanto tempo?
A mulher da vida encheu o peito de ar e respondeu ao libertar o mesmo ar.
- Mais precisamente quarenta e dois minutos.
- Ele nunca se atrasa. Não acha estranho, desta vez ele atrasar-se?
- Sim, acho… Talvez por isso tenha caído na tentação de ligar.
- E fez bem em ter ligado. Há muito tempo que tinha curiosidade em ouvir a sua voz. Teve mais coragem do que eu.
- Como assim?
- Porque eu nunca fui capaz de lhe ligar, para ouvi-la falar, conhecer a sua voz, perceber de que forma fala.
- Não vejo o que isso a possa interessar.
- O que sente?
- O que sinto? Agora?
- Quando está com ele, com o meu marido?
- Não sinto nada.
- Alguma coisa deve sentir. Por favor, quero que entenda que esta conversa é mesmo muito importante para mim. Diga-me o que sente quando está com ele.
- O mesmo que sinto quando estou com outros homens. Nada. Absolutamente nada. É como se fosse uma outra pessoa fora do meu corpo, e é apenas sobre essa pessoa que os homens tocam. Cá dentro, em mim, ninguém toca. É isso. Não sinto mesmo nada.
- Costuma beijá-lo?
A mulher da vida pensou durante alguns instantes.
- Às vezes.
- Sempre pensei que vocês nunca beijavam os clientes.
- Eu não estou a dizer que beijo todos os clientes.
- Mas beija o meu marido.
- Sim… já beijei o seu marido… ouça, não estou a ver onde esta conversa nos possa levar. Lamento muito ter ligado…
A mulher do homem voltou a cortar.
- É claro que lamenta. Imagino mesmo que sim. É como lhe digo, aprecio a sua coragem, e a sua boa vontade em ainda estar a falar comigo. Porque estará ele atrasado? Continua ele sem aparecer?
- Sim.
- Avisa-me se ele entretanto chegar?
- Não sei.
- Não quer mesmo saber porque razão o meu marido falou de si?
- Não, não quero.
A mulher do homem prosseguiu.
- Se calhar achará a resposta muito banal. Mas é a verdade e aqui vai ela: O meu marido falou-me de si porque, simplesmente, afirma ter-se apaixonado por si. Não acha caricato? Certamente não acha. Será o que mais vezes lhe deve acontecer. Mas eu ouvi serenamente tudo o que ele tinha para me contar acerca de si. E sabe o que aconteceu? Aquilo que eu senti ao vê-lo descrever, a si, com um brilho nos olhos que eu nunca lhe tinha visto? Não quer saber? Mas eu vou-lhe dizer: senti-me aliviada. Muito aliviada.
- Aliviada?
- Aliviada porque senti que o tinha perdido de vez, finalmente. Senti que a partir desse momento, tudo estava resolvido, que não precisava de me preocupar mais. Que poderia viver de uma vez por todas a minha vida, apenas a minha vida. Tem a noção da importância do que lhe estou a dizer?
- Talvez, não sei…
- É óbvio que não sabe. Se você mesma diz que nada sente com eles? Não é verdade? Como pode então entender tudo isto?
- Sim, é isso, não entendo mesmo – respondeu a mulher da vida.
- Sabe porque está ele atrasado?
- Você sabe?
- Sei. Porque está aqui comigo. Logo… não pode estar aí consigo. Ou seja… se ele está aqui é normal que esteja atrasado.
- Bom, assim sendo vou desligar. Parece que ele não vem mesmo.
- É isso. Ele não vai mesmo e sabe porquê? Porque o tenho atado à minha frente. Atadas as mãos, atados os pés, atado a uma cadeira. Tem a boca tapada e sangra da cabeça, por tê-lo empurrado pelas escadas. E agora olha para mim. Durante todo este tempo. Durante toda a nossa conversa. E sabe? Ele parece assustado com a arma que eu lhe estou a apontar. Agora, está tão frágil e ridículo. E vou fazê-lo. Agora mesmo. Que bom que teve a coragem de ligar e poder ouvir, e compreender… apenas compreender…
A mulher da vida ouviu um intenso estalo pelo auscultador, um som ensurdecedor, o som de um tiro e depois um silêncio, um grande silêncio. E a chamada sem se desligar. Olhou para o telemóvel e sim, a chamada não se desligava.
A campainha de casa da mulher da vida soou, e ela deu um salto assustada, como se aquele som fosse a repetição do tiro que ouvira pelo telefonema. Levantou-se, com a cabeça confusa e dirigiu-se à porta. Olhou pelo binóculo e viu do outro lado o homem que estava atrasado.